Aos 3 anos de idade, a minha avó ofereceu-me um teclado pelo
natal. Foi algo que os meus pais acharam absurdo na altura, pois acharam que
era muito cedo e eu era muito novo para aprender a tocar um instrumento. Eu
achei aquilo fascinante. Na manha seguinte, conforme os meus pais o dizem,
levantei-me muito cedo de madrugada e comecei a tocar algumas coisas
no piano, a experimentar sons e curiosamente, a tocar melodias bastantes
conhecidas, tudo através da intuição. Conforme os meus pais referem, pois eu não
me recordo claramente, já na altura eu demonstrava uma ligação muito forte com
o instrumento, uma paixão por música e por som. Adorava experimentar todos os
sons do piano, aprendi as minhas primeiras melodias sozinho, que apesar de
tudo, saiam naturalmente e intuitivamente. Os meus pais acharam aquilo
extraordinário e surpreendente, como tal, decidiram ir comigo a uma escola de
música com o objectivo de eu começar em aulas e desenvolver esse
talento.
Mais tarde, já com 9 anos de idade, comecei a despertar o
interesse pela guitarra, pois o meu pai era guitarrista, e confesso que este
instrumento sempre captou a minha atenção, não só
pela versatilidade do mesmo mas também pela diversidade de sons que é
possível retirar dele. Comecei a admirar muito o instrumento, aprendi os
primeiros acordes básicos e as ferramentas essenciais para começar a tocar com
o meu pai, e dai em diante, dedicai-me de corpo e alma ao instrumento.